segunda-feira, 5 de março de 2012

SUJEITO

O SUJEITO

Tipos de Sujeito:  

 Sujeito Simples - é expresso em um só núcleo

Exemplos:
O meu cão gosta de brincar com as crianças.
Passou de ano  o Pedro .  (sujeito posposto ao predicado, invertido)
Lisboa é banhada pelo rio Tejo.
Brincaram toda a tarde aqueles meninos . (sujeito posposto ao predicado, invertido)
Nós trabalhamos todos os dias.
O relógio da torre próxima bateu as nove horas.
Sujeito composto - é expresso, pelo menos, por dois núcleos, separados por vírgula ou pela copulativa “e”

Exemplos:

  O cã
o e o gato gostam de brincar com as crianças.  
  O Pedro e a Maria passaram de ano.
  Lisboa e Setúbal são banhadas por rios. 
  Eu, tu e ele trabalhamos todos os dias.

 
SUJEITO NULO - QUER DIZER NÃO ESTÁ REPRESENTADO NA FRASE:



Sujeito Nulo Subentendido - O sujeito não está representado, mas deduzimos quem é, sendo normalmente um nome, expressão nominal ou frase referidos antes.

Exemplos:

   Os meus pais saíram à noite; foram ao cinema.

Sujeito Nulo Indeterminado - distingue-se do sujeito subentendido, porque não vem expresso anterior ou posteriormente à frase em causa, visto o sujeito não interessar tanto quanto a acção em causa. É ela (a acção) que se torna centro das atenções da frase:

   (...) Assaltaram hoje muitas lojas na baixa.


 
Não só se desconhece o sujeito da acção, como aquilo que se pretende realçar é o assalto às lojas, o acontecimento em si.   Disse-se muita asneira naquela palestra.A partícula “se” denominada “índice de indeterminação do sujeito” tem o mesmo valor que a forma verbal na 3ª pessoa do plural na frase acima: o que interessa é a acção – o ter-se dito asneiras e não quem as disse.

 
Comenta-se que há problemas no Sporting.


Sujeito Nulo Expletivo (Inexistente) - existem verbos que não possuem sujeito; são eles verbos que expressam os fenómenos da natureza e outros impessoais como haver.



Exemplos:


Trovejou muito esta tarde.Ventou toda a noite.
Está a chover muito.

muita gente junta naquela praça.

Proposta de correção

Prova escrita de Português – 11º ano V - 2
Fevereiro 2012

Lê atentamente o excerto de Frei Luís de Sousa, de Almeida Garrett.

Madalena (enxuga os olhos e toma uma atitude grave e firme) — Levantai-vos, Telmo, e ouvi-me. (Telmo levanta-se.) Ouvi-me com atenção. É a primeira vez e será a última vez que vos falo deste modo e em tal assunto. — Vós fostes o aio e o amigo de meu senhor… de meu primeiro marido, o senhor D. João de Portugal; tínheis sido o companheiro de trabalhos e de glória de seu ilustre pai, aquele nobre conde de Vimioso, que eu de tamanhinha me acostumei a reverenciar como pai. Entrei depois nesta família de tanto respeito; achei-vos parte dela, e quase que vos tomei a mesma amizade que aos outros… chegastes a alcançar um poder no meu espírito, quase maior… — decerto maior — que nenhum deles. O que sabeis da vida e do mundo, o que tendes adquirido na conversação dos homens e dos livros — porém, mais que tudo, o que de vosso coração fui vendo e admirando cada vez mais — me fizeram ter-vos numa conta, deixar-vos tomar, entregar-vos eu mesma tal autoridade nesta casa e sobre minha pessoa… que outros poderão estranhar…
Telmo — Emendai-o, senhora.
Madalena — Não, Telmo, não preciso nem quero emendá-lo. — Mas agora deixai-me falar. Depois que fiquei só, depois daquela funesta jornada de África que me deixou viúva, órfã e sem ninguém… sem ninguém, e numa idade… com dezassete anos! — em vós, Telmo, em vós só, achei o carinho e proteção, o amparo que eu precisava. Ficastes-me em lugar de pai; e eu… salvo numa coisa! — tenho sido para vós, tenho-vos obedecido como filha.
Telmo — Oh, minha senhora, minha senhora! mas essa coisa em que vos apartastes dos meus conselhos…
Madalena — Para essa houve poder maior que as minhas forças… D. João ficou naquela batalha com seu pai, com a flor da nossa gente. (Sinal de impaciência em Telmo.) Sabeis como chorei a sua perda, como respeitei a sua memória, como durante sete anos, incrédula a tantas provas e testemunhos da sua morte, o fiz procurar por essas costas de Berberia, por todas as sejanas de Fez e Marrocos, por todos quantos aduares de Alarves aí houve… Cabedais e valimentos, tudo se empregou; gastaram-se grossas quantias; os embaixadores de Portugal e Castela tiveram ordens apertadas de o buscar por toda a parte; aos padres da Redenção, a quanto religioso ou mercador podia penetrar naquelas terras, a todos se encomendava o seguir a pista do mais leve indício que pudesse desmentir, pôr em dúvida ao menos, aquela notícia que logo viera com as primeiras novas da batalha de Alcácer. Tudo foi inútil; e a ninguém mais ficou resto de dúvida…
Telmo — Senão a mim.
Madalena – Dúvida de fiel servidor, esperança de leal amigo, meu bom Telmo, que diz com vosso coração, mas que tem atormentado o meu…Pois dizei-me em consciência, dizei-me de uma vez claro e desenganado: a que se apega esta vossa credulidade de sete…. e hoje mais catorze … vinte e um anos?
Almeida Garrett, Frei Luís de Sousa





Grupo I
São apresentados os números das questões das duas versões. Sigo a versão 2, quer dizer que a questão 1 corresponde à dois na versão 1 e assim sucessivamente.
As respostas foram elaboradas a partir das dadas por alguns alunos suprimindo ou acrescentando elementos.

Responde, por palavras tuas e de forma completa, às questões que se seguem.

1/2. Enquadra este excerto na estrutura interna e externa da obra justificando adequadamente.

Em termos de estrutura externa, o excerto situa-se no ato I e corresponde à exposição do conflito, quanto à estrutura interna da peça Frei Luís de Sousa.
O primeiro ato, especialmente as cenas I à IV, é dominado por frequentes alusões ao passado evocado por Telmo que esmaga os pensamentos de Madalena. Também se apresentam as personagens e fornecem-se informações acerca do relacionamento entre elas, história da família e o tempo da ação.
Esse tempo de memória é relevante para o desencadear do conflito entre o passado mal resolvido e incógnito, por isso sempre presente nos vários momentos críticos da ação, como no início do 2º ato, e um presente que, parecendo consolidado, em termos de felicidade, depende muito do que aconteceu ou não a D. João de Portugal na batalha de Alcácer-Quibir.

2/5. A partir do conhecimento da peça, caracteriza Telmo indicando e justificando três traços fundamentais.

Telmo Pais é uma das personagens centrais da ação de Frei Luís de Sousa. Ao longo da ação podemos verificar traços da sua personalidade, tais como: lealdade e fidelidade à família que serviu e à que continua a servir, apesar das dúvidas iniciais em relação à personagem Maria e D. Manuel. No excerto em análise, a própria Madalena o intitula de «fiel servidor» e «leal amigo». Essas caraterísticas levam-no a acreditar que o seu amo, D. João de Portugal, ainda poderá estar vivo. A resposta que dá a Madalena «senão mim» é reveladora da sua esperança e cimenta o seu caráter sebastianista.
Outra qualidade é o facto de ser confidente de Maria e Madalena, comentador, conselheiro, representando na peça o coro, típico da tragédia clássica.
Por fim, um traço também referido por Madalena é a sabedoria, por isso é digno de confiança porque o saber vem «da vida e do mundo, o que tendes adquirido na conversação dos homens e dos livros».

OUTRO ASPETO QUE PODIA SER CONSIDERADO
A sua divisão depois de D. João chegar. Este pede-lhe que vá negá-lo, sente-se dividido entre o desejo de o ter presente e a sua negação, perante o facto de saber da situação catastrófica da sua querida o corregelionára de sebastianismo Maria.

3/1. Explica a relação de tensão que se estabelece neste excerto entre Madalena e Telmo.

Neste excerto é evidente a presença de uma forte tensão entre Telmo e Madalena causada por terem diferentes pontos de vista relativamente à morte de D. João de Portugal e ao novo casamento de Madalena.
Madalena acredita que D. João ficou naquela funesta batalha de Alcácer, «D. João ficou naquela batalha com seu pai, com a flor da nossa gente», além disso justifica-se afirmando que tudo fez para se certificar disso «durante sete anos (…) o fiz procurar por essas costas de Berberia».

HÁ OUTRAS CITAÇÕES QUE CONTRIBUIRIAM PARA JUSTIFICAR A POSIÇÃO DE MADALENA

como e «a ninguém mais ficou resto de dúvida». Ao usar o quantificador universal «ninguém», tenta justificar-se com a opinião da maioria, tentando demonstrar a Telmo que está na pequena minoria de crentes.
Telmo sempre duvidou e essa incerteza ainda permanece no seu espírito, porque ele responde à certeza geral formulada por Madalena «Senão a mim».


4/3. Neste excerto, Madalena parece querer justificar-se. De que se justifica ela e porquê?

O excerto corresponde, de facto, à justificação do casamento de Madalena com Manuel de Sousa Coutinho, depois de aceitar a morte do seu primeiro marido.
Depois de enumerar as virtudes da família de D. João, justifica a admiração que tem por Telmo «o que do vosso coração fui vendo e admirando cada vez mais – me fizeram ter-vos em conta».
Seguidamente justifica a dor da viuvez ainda tão jovem e, não se conformando, em sinal de amor por D. João, aplicou dinheiro, fez diligências diplomáticas, procurou por toda a parte, esperando durante sete anos e tudo foi em vão «Tudo foi inútil»
Por fim, outra questão que importa referir é o facto de estar assim definido pelo destino. Atendendo às palavras de Madalena, quando responde à acusação de Telmo que se havia apartado dos seus conselhos: «para essa (coisa) houve poder maior que as minhas forças». Essa “coisa” com maior poder foi o amor.


5/4. Madalena ao justificar-se evidencia um discurso carregado de emoções. Refere, dando exemplos, as marcas que conferem essa propriedade.

As falas de Madalena revelam emoções e existem várias marcas discursivas que lhe conferem essa caraterística/propriedade. Dessas marcas podemos referir três. Duas delas são relativas à pontuação e aos tipos de frase, a outra, quanto à linguagem marcada por processos retóricos.
Relativamente à pontuação, verificamos que há o predomínio de frases inacabadas, marcadas pelo uso abundante de reticências «…tal autoridade nesta casa e sobre minha pessoa … que outros poderão estranhar …» e «esta vossa credulidade de sete … e hoje mais catorze … vinte e um?» Outro recurso de pontuação que marca a sentimentalidade do discurso é o uso da exclamação. A frase pretende aproximar o que é dito da emoção que se quer transmitir, de modo a convencer o interlocutor pela comoção, como por exemplo «sem ninguém, e numa idade … com dezassete anos!» e «salvo numa coisa!»

PODIAM REFERIR A FRASE IMPERATIVA, INTERROGATIVA

Quanto aos processos estilísticos, o texto é rico em repetições, muito próximo do discurso argumentativo, pois Madalena quer que Telmo acredite na convicção dela. Por isso recorre à anáfora COMO PROCESSO ENFÁTICO: «sabes como chorei a sua perda, como respeitei a sua memória, como durante sete anos ..».

PODEM REFERIR-SE A APÓSTROFE, A ADJETIVAÇÃO, DANDO SEMPRE OS EXEMPLOS ADEQUADOS

Os alunos que apenas transcrevem exemplos têm entre 4 e 6 pontos, em 20, portanto convém explicar.


6 - Tendo em conta a leitura e o estudo de “Frei Luís de Sousa” comenta a seguinte afirmação, elaborando um texto entre 80 e 160 palavras, referindo, pelo menos, três indícios e a reação de duas personagens.

Ao longo de todo o texto podemos encontrar indícios ou presságios de um final trágico ao qual as personagens reagem de modos diferentes.


Ao longo do drama, somos conduzidos pelo texto para aspetos que irão condicionar o desenrolar da ação. A esses sinais damos o nome de indícios. No caso desta ação, tratando-se de um drama também se costumam designar por presságios, ou seja um facto associado a uma ação funesta e trágica.

O primeiro ato inicia-se com a alusão ao episódio de Inês de Castro e decorre da leitura de Os Lusíadas transportando o leitor ou espetador para a crueldade do destino daquele trágico amor que nos permite estabelecer uma analogia entre Madalena e Inês.

Em segundo lugar, outro elemento perturbador, que condiciona fortemente a ação, é a mudança para o palácio de D. João, após o ato heróico, mas de desafio, de Manuel. Este novo espaço irá contribuir para adensar a memória psicológica de Madalena e confrontar-se com o passado indesejável.

Finalmente outro facto carregado de simbologia é a questão da coincidência de datas, dias e numerologia. Tudo se passa às sextas-feiras, sete anos depois da batalha, catorze de casamento, treze anos de Maria.

OUTROS EXEMPLOS: AS FLORES MURCHAM, FRAGILIDADE DE MARIA, O RETRATO DE MANUEL A ARDER, O FECHAMENTO DO ESPAÇO

2ª Parte da questão:

A reação das personagens à catástrofe não foi uniforme. Manuel aceita a resolução de se tornar frade sem qualquer contestação, depois de falar calmamente com o irmão frei Jorge. Maria não aceita o destino. Como ser único acha que nada tem a ver com o passado e que a sociedade e a religião se condenam a sua condição de fruto do pecado deverão questionados. Ela faz isso num discurso apaixonado. Todavia morre.

OUTRAS REAÇÕES: D. JOÃO QUER VOLTAR ATRÁS, POR EXEMPLO E PEDE A TELMO QUE VÁ DIZER QUE ERA APENAS UM IMPOSTOR

Grupo II

1 - Faz corresponder cada momento ao respetivo ato, associando o número e a letra correspondente.
1 - D. João existe apenas no pensamento das personagens
2 - D. João torna-se visível no retrato.
3 - D. João chega na forma de Romeiro
4 - Embora não esteja presente, é D. João que provoca a catástrofe

A – 1º ato B – 3º ato C – Final do 2º ato D – Início do 2º ato

1 – A; 2 – D; 3 – C; 4 - D

2
Verdadeiras – C, H, I Falsas - A, B, D, E, F


3
Corretas: A, B, C

4
Corretas: C e G

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Frei Luís de Sousa

1. Acção dramática
Frei Luís de Sousa contém o drama que se abate sobre a família de Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena de Vilhena. As apreensões e pressentimentos de Madalena de que a paz e a felicidade familiar possam estar em perigo tornam-se gradualmente numa realidade. O incêndio no final do Acto I permite uma mutação dos acontecimentos e precipita a tensão dramática. E no palácio que fora de D. João de Portugal, a acção atinge o seu clímax, quer pelas recordações de imagens e de vivências, quer pela possibilidade que dá ao Romeiro de reconhecer a sua antiga casa e de se identificar a Frei Jorge.
O Acto I inicia-se com Madalena a repetir os versos d'Os Lusíadas:
  • "Naquele engano d'alma ledo e cego,
    que a fortuna não deixa durar muito…"
As reflexões que se seguem transmitem, de forma explícita um presságio da desgraça que irá acontecer. Obedecendo à lógica do teatro clássico desenvolve a intriga de forma a que tudo culmine num desfecho dramático, cheio de intensidade: morte física de Maria e a morte para o mundo de Manuel e Madalena.
2. Do drama clássico ao drama romântico
Se se pretender fazer uma aproximação entre esta obra e a tragédia clássica, poder-se-á dizer que é possível encontrar quase todos os elementos da tragédia, embora nem sempre obedeça à sua estruturação objectiva.
A hybris é o desafio, o crime do excesso e do ultraje. D. Madalena não comete um crime propriamente na acção, mas sabemos que ele existiu pela confissão a Frei Jorge de que ainda em vida de D. João de Portugal amou Manuel de Sousa, apesar de guardar fidelidade ao marido. O crime estava no seu coração, na sua mente, embora não fosse explícito como entre os clássicos.
Manuel de Sousa Coutinho também comete a sua hybris ao incendiar o palácio para não receber os governadores. A hybris manifesta-se em muitas outras atitudes das personagens.
O conflito que nasce da hybris desenvolve-se através da peripécia (súbita alteração dos acontecimentos que modifica a acção e conduz ao desfecho), do reconhecimento (agnórise) imprevisto que provoca a catástrofe. O desencadear da acção dá-nos conta do sofrimento (páthos) que se intensifica (climax) e conduz ao desenlace. O sofrimento age sobre os espectadores, através dos sentimentos de terror e de piedade, para purificar as paixões (catarse). A reflexão catártica é também dada pelas palavras do Prior, quando na última fala afirma: "Meus irmãos, Deus aflige neste mundo àqueles que ama. A coroa da glória não se dá senão no céu".
Tal como na tragédia clássica, também o fatalismo é uma presença constante. O destino acompanha todos os momentos da vida das personagens, apresentando-se como um força que as arrasta de forma cega para a desgraça. É ele que não deixa que a felicidade daquela família possa durar muito.
Garrett, recorrendo a muitos elementos da tragédia clássica, constrói um drama romântico, definido pela valorização dos sentimentos humanos das personagens; pela tentativa de racionalmente negar a crença no destino, mas psicologicamente deixar-se afectar por pressentimentos e acreditar no sebastianismo; pelo uso da prosa em substituição do verso e pela utilização de uma linguagem mais próxima da realidade vivida pelas personagens; sem preocupações excessivas com algumas regras, como a presença do coro ou a obediência perfeita à lei das três unidades (acção, tempo e espaço).
3. Tempo
A acção dramática de Frei Luis de Sousa acontece em 1599, durante o domínio filipino, 21 anos após a batalha de Alcácer-Quibir. Esta aconteceu a 4 de Agosto de 1578.
"A que se apega esta vossa credulidade de sete… e hoje mais catorze… vinte e un anos?", pergunta D. Madalena a Telmo (Acto I, cena 11).
"Vivemos seguros, em paz e felizes… há catorze anos" (1, cena 11).
"Faz hoje anos que… que casei a primeira vez, faz anos que se perdeu el-rei D. Sebastião, e faz anos também que… vi pela primeira vez a Manuel de Sousa", afirma D. Madalena (Il. cena X).
"Morei lá vinte anos cumpridos" (…) "faz hoje um ano… quando me libertaram", diz o Romeiro (Il. cena XIV).
A acção reporta-se ao final do século XVI, embora a descrição do cenário do Acto I se refira à "elegância" portuguesa dos princípios do século XVII.
O texto é, porém, escrito no século XIX, acontecendo a primeira representação em 1843.
4. Personagens
D. Madalena de Vilhena é a primeira personagem que aparece na obra, mas pode-se afirmar que toda a familia tem um relevo significativo. São as relações entre esposos, pais e filha, o criado e os seus amos ou mesmo o apoio de Frei Jorge que estão em causa. Um drama abate-se sobre esta família e enquanto Manuel de Sousa Coutinho e D. Madalena se refugiam na vida religiosa, Maria morre como vítima inocente.
D. Madalena tinha 17 anos quando D. João de Portugal desapareceu na batalha de Alcácer-Quibir. Durante 7 anos procurou-o. Há catorze anos que vive com Manuel de Sousa Coutinho. Tem agora 38 anos (17 + 21). Mulher bela, de carácter nobre, vive uma felicidade efémera, pressentindo a desventura e a tragédia do seu amor. Racionalmente, não acredita no mito sebastianista que Ihe pode trazer D. João de Portugal, mas teme a possibilidade da sua vinda. E com medo que a encontramos a reflectir sobre os versos de Camões e a sentir, como que em pesadelo, a ideia de que a sobrevivência de D. João destrua a felicidade da sua família. No imaginário de D. Madalena, a apreensão torna-se pressentimento, dor e angústia. É neste terror que se vê na necessidade de voltar para a habitação onde com ele viveu.
Manuel de Sousa Coutinho (mais tarde Frei Luis de Sousa) é um nobre e honrado fidalgo, que queima o seu próprio palácio, para não receber os governadores. Embora apresente a razão a dominar os sentimentos, por vezes, estes sobrepõem-se quando se preocupa com a doença da filha. É um bom pai e um bom marido.
Maria de Noronha tem 13 anos, é uma menina bela, mas frágil, com tuberculose, e acredita com fervor que D. Sebastião regressará. Tem uma grande curiosidade e espírito idealista. Ao pressentir a hipótese de ser filha ilegítima sofre moralmente. Será ela a vítima sacrificada no drama.
Telmo Pais, o velho criado, confidente privilegiado, define-se pela lealdade e fidelidade. Não quer magoar nem pretende a desgraça da família de D. Madalena e Manuel. Mas como verdade recorrente no mito sebastianista, acredita que D. João de Portugal há-de regressar. No fim, acaba por trair um pouco a lealdade de escudeiro pelo amor que o une à filha daquele casal, D. Maria de Noronha. Representa um pouco o papel de coro da tragédia grega, com os seus diálogos, os seus agoiros ou os seus apartes.
O Romeiro apresenta-se como um peregrino, mas é o próprio D. João de Portugal. Os vinte anos de cativeiro transformaram-no e já nem a mulher o reconhece. D. João, de espectro invisível na imaginação das personagens, vai lentamente adquirindo contornos até se tornar na figura do Romeiro que se identifica como "Ninguém". O seu fantasma paira sobre a felicidade daquele lar como uma ameaça trágica. E o sonho torna-se realidade.
Frei Jorge Coutinho, irmão de Manuel de Sousa, amigo da família e confidente nas horas de angústia, ouve a confissão angustiada de D. Madalena. Vai ter um papel importante na identificação do Romeiro, que na sua presença indicará o quadro de D. João de Portugal.
5. Cenário
O Acto I passa-se numa "câmara antiga, ornada com todo o luxo e caprichosa elegancia dos principios do século XVII", no palácio de Manuel de Sousa Coutinho, em Almada. Neste espaço elegante parece brilhar uma felicidade, que será, apenas, aparente.
O Acto II acontece "no palácio que fora de D João de Portugal, em Almada, salão antigo, de gosto melancólico e pesado, com grandes retratos de familia…". As evocações do passado e a melancolia prenunciam a desgraça fatal.
O Acto lll passa-se na capela, que se situa na "parte baixa do palácio de D. João de Portugal". "É um casarão vasto sem ornato algum". O espaço denuncia o fim das preocupações materiais. Os bens do mundo são abandonados.
6. A Atmosfera psicológica
Há ao longo da intriga dramática uma atmosfera psicológica do sebastianismo com a crença no regresso do monarca desaparecido e a crença no regresso da liberdade. Telmo Pais é quem melhor alimenta estas crenças, mas Maria mostra-se a sua melhor seguidora.
Percebe-se também uma atmosfera de superstição, nomeadamente desenvolvida em redor de D Madalena.
7. Simbologia
Vários elementos estão carregados de simbologia, muitas vezes a pressagiar o desenrolar da acção e a desgraça das personagens. Apenas como referência, podemos encontrar algumas situações e dados simbólicos:
·         A leitura dos versos de Camões referem-se ao trágico fim dos amores de D. Inês de Castro que, como D. Madalena, também vivia uma felicidade aparente quando a desgraça se abateu.
·         O tempo dos principais momentos da acção sugerem o dia aziago: sexta-feira, fim da tarde e noite (Acto I), sexta-feira, tarde (Acto II), sexta-feira, alta noite (Acto lll); e à sexta-feira D. Madalena casou-se pela primeira vez; à sexta-feira viu Manuel pela primeira vez; à sexta-feira dá-se o regresso de D. João de Portugal; à sexta-feira morreu D. Sebastião, vinte e um anos antes.
·         A numerologia (1) parece ter sido escolhida intencionalmente. Madalena casou 7 anos depois de D. João haver desaparecido na batalha de Alcácer-Quibir; há 14 anos que vive com Manuel de Sousa Coutinho; a desgraça, com o aparecimento do Romeiro, sucede 21 anos depois da batalha (21=3x7). 0 número 7 é um número primo que se liga ao ciclo lunar (cada fase da Lua dura cerca de sete dias) e ao ciclo vital (as células humanas renovam-se de sete em sete anos), representa o descanso no fim da criação e pode-se encontrar em muitas representações da vida, do universo, do homem ou da religião; o número 7 indica o fim de um ciclo periódico. O número 3 é o número da criação e representa o círculo perfeito. Exprime o percurso da vida: nascimento, crescimento e morte. O número 21 corresponde a 3x7, ou seja, ao nascimento de uma nova realidade (7 anos foi o ciclo da busca de notícias sobre D. João de Portugal e o descanso após tanta procura); 14 anos foi o tempo de vida com Manuel de Sousa (2x7, o crescimento de uma dupla felicidade: como esposa de Manuel e como mãe de Maria; 14 é gerado por 1+4=5, apresentando-se como símbolo da relação sexual, do acto de amor); 21 anos completa a tríade de 7 apresentando-se como a morte, como o encerrar do círculo dos 3 ciclos periódicos O número 7 aparece, por vezes, a significar destino, fatalidade (imagem do completar obrigatório do ciclo da vida), enquanto o 3 indica perfeição; o 21 significa, então, a fatalidade perfeita.
·         Maria vive apenas 13 anos. Na crença popular o 13 indica azar. Embora como número ímpar deva apresentar uma conotação positiva, em numerologia é gerado pelo 1+3=4, um número par, de influências negativas, que representa limites naturais. Maria vê limitados os seus momentos de vida.






8. Acção Trágica
Elementos trágicos
Hybris
(o desafio)
Agón
(o conflito)
Pathos
(o sofrimento)
Katastrophé
(a catástrofe)
D. Madalena de Vilhena
contra as leis e os direitos da família:

adultério no coração

consumação pelo casamento com Manuel

profanação de um sacramento

bigamia
interior, de consciência

contínuo

crescente

gerador de conflitos:
com D. Manuel
com D. João
com Maria
com Telmo
por causa do adultério

pela incerteza da sorte do primeiro marido

violento pela volta ao palácio do primeiro marido

cruel após conhecimento da existência do primeiro marido:
pela perda do marido
pela perda de Maria
causada pelo regresso de D. João - morte psicológica:

separação do marido

profissão religiosa

salvação pela purificação:

irmã Sóror Madalena das Chagas
Manuel S. Coutinho
revolta contra as autoridades de Lisboa

desafia o destino ao incendiar o palácio

recusa o perdão

inconscientemente participante da hybris de sua esposa
não tem conflito de consciência

não entra em conflito com as outras personagens

a sua hybris desencadeia e agudiza os conflitos das outras personagens
sofre a angústia pela situação da sua mulher

sofre a angústia pela situação presente e futura da filha
morte psicológica:

separação da esposa
separação do mundo
profissão religiosa

glória futura de escritor:

Frei Luís de Sousa: glória de santo
D. João de Portugal
abandona a família

não dá notícias da sua existência

aparece quando todos o julgavam morto
não tem conflito

alimenta os conflitos dos outros

agudiza todos os conflitos com o seu regresso
sofre o esquecimento a que foi votado

sofre pelo casamento da sua mulher

sofre por não poder travar a marcha do destino
morte psicológica:

separação da mulher

a situação irremediável do anonimato
D. Maria de Noronha
revolta contra a profissão religiosa dos pais

revolta contra D. João de Portugal

convida os pais a mentir
não tem conflito

entra em conflito com:
sua mãe
seu pai
Telmo
D. João de Portugal
sofre fisicamente:
tuberculose

sofre psicologicamente:
não obtém resposta a muitos agoiros
vergonha da ilegitimidade
morre fisicamente

vai para o céu
Telmo Pais
afeiçoa-se a Maria

deseja que D. João de Portugal tivesse morrido
conflito de consciência

conflito com outras personagens:
com D. Madalena
com D. Manuel
com Maria
com D. João de Portugal
sofre pela dúvida constante que o assalta acerca da morte de D. João de Portugal

sofre hesitando entre a fidelidade a D. João e a D. Manuel

sofre a situação de Maria
não poderá resistir a tantos desgostos
9. Estrutura dramática
Estrutura Interna

Exposição
Acto I - cenas I, II, III e IV
Conflito
Acto I - cenas V-XII

Acto II

Acto III - cenas I-IX
Desenlace
Acto III - cenas X-XII

Acto I
Estrutura Externa



cenas I-IV

cenas V-VIII

cenas IX-XII
Informações sobre o passado das personagens Preparação da acção - decisão dos governadores e decisão de incendiar o palácio

Acção: incêndio do palácio
Acto II
cenas I-III

cenas IV-VIII

cenas IX-XV
Informações sobre o que se passou depois do incêndio

Preparação da acção: ida de Manuel de Sousa Coutinho a Lisboa

Acção: chegada do Romeiro
Acto III
cena I

cenas II-IX

cenas X-XII
Informações sobre a solução adoptada

Preparação do desenlace

Desenlace

                       

domingo, 17 de julho de 2011

2ª Chamada

Sei que alguns vão fazer a 2ª chamada.

Aos interessados relembro que terei disponibilidade para rever questões e tirar dúvidas, passem a notícia:

Terça-feira, 19 de Julho - 11:00 - 12:30

Quarta-feira, 20 de Julho - 11:00 - 12:30

Quinta-feira, 21 de julho - 11:00 - 12:30

O Exame 1ª Chamada

Conhecidos os resultados dos exames, considero importante tecer algumas considerações sobre a prova.
Em primeiro lugar, perante o panorama geral, vocês deram excelente prova de que são capazes. Disso eu não duvidava, porém a prova que vos coube em sorte nada favoreceu as vossas performances que, numa prova normal, ainda seria melhor em pelo menos 3 a 4 pontos acima, nalguns casos. Em segundo, a prova era traiçoeira e parcial, relativamente ao longo programa de 12º ano, uma esfinge autêntica, e isso não se faz, no meu entender. Primeira parte PESSOA (Campos e Reis), digamos 15% do programa para 50% da avaliação.

Grupo 1:

Perante um poema esteticamente inquestionável, da tal fase mais intimista de Álvaro de Campos, não estranharam que nada se perguntasse sobre isso, ou que isso não aparecesse nos critérios de correcção? E que dizer da 4ª questão!? Uma autêntica fraude interpretativa. A proposta de correcção dá como chave interpretativa muito restrita do verso 16: Quais outros? Não há outros, indicando que "cada outro é um eu". Ora o que muito simplesmente os outros, neste contexto bem específico, são a soma de "eus", a multidão insensível, só cada "eu" poderá sentir. Não foi considerada esta leitura. Depois acrescenta-se um desvario, ao indicar-se que entre os versos 17 a 20  manifestam "a incomunicabilidade esencial entre humanos, de que resulta a consciência individual de cada eu". Delírio puro, não lírica pura! O que se faz esteticamente na estrofe 7, onde estão incluídos esses versos, é acentuar o carácter onírico, o sonho do "eu", enunciado logo no 1º verso.... e o contraste com a realidade dos aoutros que julga ter observado, emparedados, na sua vida rotineira. Um eu lúcido que não tolera a rotina
Por fim, o confronto entre a gaiola dos sonhos e a gaiola das casas.... as metáforas e os paradoxos, alimento estético da literatura, não deveriam ser objecto de questionário? Claro que sim.

Outra questão que suscitou dúvidas, foi a primeira pergunta. A maioria não estabelece a diferença entre sensação, o mundo dos sentidos, o empírico e sentimento, questão psicológica! Esta questão era, numa primeira abordagem, de uma simplicidade tal que os alunos acharam que não seria possível tal pergunta! Exige atenção. Nas provas que vi 80% dos alunos desperdiçaram 15 pontos desta forma. Mas atenção, se os alunos falham, os professores que preparam um exame durante um ano inteiro, não podem falhar. Seria perfeitamente aceitável, como critério de correcção, conferir pontuação a respostas de alunos que encaram a sensação como fenómeno sensorial e psicológico simultaneamente. Note-se por exemplo o seguinte conceito: SENSAÇÃO - facto psicofisiológico (psico+fisio) que deriva de um estímulo sensorial e origina um estímulo traduzido numa emoção, ou vice-versa. Os critérios fechados não aceitavam.

A composição

Reflectir sobre a importância da literatura.

Como estarão lembrados, nós durante o ano fizemos uma composição sobre os livros que lemos, os filmes que vemos, os qudros que apreciamos. Na verdade, todos os objectos estéticos contribuem para a estrutura cultural do ser humano. Não sei como trataram o tema, mas deixo aqui algumas considerações e ratoeiras que alguns alunos, via-se pela escrita que alguns deles seriam muito bons, cairam indesejavelmente.

Partindo de uma citação discutível ideologicamente, ao propor o tema da LITERATURA como modelar em vários sentidos, a amplitude do conceito confronta os jovens com dois problemas imensos, trabalhos de Sísifo.
O primeiro é não conseguirmos dissociar literatura de leitura. Uma leva à outra, sem dúvida. O segundo, mais difícil, como arranjar dois exemplos e duas ilustrações acima da média, isto é que não passassem de trivialidades: ler é melhor do que não ler, desde pequenos lemos e ouvimos histórias fantásticas, os que lêem normalmente têm melhores resultados escolares, estão mais informados, estamos mais preparados para ir a uma entrevista de emprego, etc.... já começamos a derivar, e a literatura de que fala MAP não é bem esta já. É um conceito muito mais amplo que muitos professores rejeitam. Para uns a literatura são os clássicos para outros até a revista Maria serve.
Estas questões colocam não só problemas aos examinados como aos examinadores. Como cotar trivialidadades sucessivas? Raros são os alunos que percepcionam a literatura como arte, objecto estético de que alguns até não gostam, por isso não aderem a nada; outros não gostam, mas explicam-no; outros até gostarão e não são capazes de a explicar, é essencial! E que dizer daqueles que porventura se atrevessem a discordar da citação-motivo, por uma razão ou outra? Para estes o problema afigurava-se ainda maior. Teriam de fingir se para tal tivessem engenho e arte. Por exemplo, as tias de Clarissa (Clarissa, de Erico Veríssimo) entendiam que ler muito cansava a vista! Dedução (pato)lógica de um simples popular.
Os resultados evidenciam a dissociação desastrosa entre a prova de avaliação e os conteúdos programáticos declarativos do 12º ano. Isso preocupa-me. Preocupante é a reacção aos resultados da nova tutela: dar mais horas daquilo que por vezes não se gosta mesmo; para uns será melhor, para outros um desastre.

Jorge Marão

quinta-feira, 16 de junho de 2011

Actos de fala

Expressar a relação entre o locutor e a verdade do enunciado (o locutor acredita que aquilo que diz é verdade, mas a sua
asserção pode ser submetida ao teste do verdadeiro ou falso).

EX:

(1)
ii
Queres acompanhar-me?
iv
 
􀁘
ordenar, aconselhar, pedir, desafiar,
avisar, exigir, implorar, atrever-se a,
mandar, convidar, ordenar, proibir…

verbos como perguntar, permitir,
􀁘
interrogativo

COMPROMISSIVOS
Comprometer o locutor a realizar, no futuro, o acto expresso no enunciado.
Enquanto os actos directivos colocam o interlocutor sob uma obrigação, os compromissivos exercem essa obrigatoriedade sobre o locutor.
frases dos tipos imperativo e

EX:

(1)
 
􀁘
  Expressões elípticas com valor ilocutório compromissivo: “Aqui às 8 horas.”…;
􀁘
  Frases simples no futuro do indicativo ou seus substitutos, como o presente do indicativo: “Eu vou lá.”…;
􀁘
  Frases complexas do tipo condiçãoconsequência (quando esta última implica o comprometimento do locutor):
􀁘
“Se não vieres, não almoço.”…;
  Fórmulas de despedida ( que impliquemAté logo.”…;


EXPRESSIVOS
Exprimir o estado psicológico do locutor em relação a uma situação, a uma realidade.

EX:
(1)
vi
me deste.

Que bela manhã de Primavera!      vii Agradeço-te sinceramente o apoio que
(2)
􀁘

Verbos expressivos: agradecer, lamentar, congratular-se, dar boas-vindas, pedir desculpa, apresentar condolências, deplorar, repudiar, felicitar…;
􀁘
  Expressões exclamativas com adjectivos valorativos, advérbios e verbos afectivos: “Gosto tanto desta música!”…
- O telefone acordou-me.

􀁘

DECLARATIVOS
Alterar uma realidade, através do próprio enunciado, graças ao poder/autoridade institucional ou individual do locutor.


EX:
viii
  Despedimentos, abertura/fecho de sessões, fórmulas de matrimónio, baptismo: A sessão está aberta.” …;
􀁘
 􀁘

Exercício:

1 - Marca com uma cruz as frases onde ocorrem verbos que explicitamente
referem actos de fala/actos ilocutórios.
Verbos como declarar, nomear
(2)
Eu te baptizo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Verbos modalizados por advérbios: Acho mal/bem…;

􀁘
comprometimentos): “
Verbos compromissivos: assegurar, jurar, tencionar, apostar, comprometer-se, afiançar, tencionar, prometer, garantir…;

(2)
Asseguro-te que amanhã te envio os resultados.

(2)
Expressão de ordens, conselhos, pedidos,
sugestões, avisos, instruções… sobretudo
através de:

Não te esqueças de comprar o leite!
􀀀
- Ouvi as transmissões (…) a comunicarem para o comandante.
􀀀
- Era a minha mãe a dizer-me que …
􀀀
- A minha mãe fez-me prometer que …
􀀀
- Ouvi a Mahité a rir-se.
􀀀
- O general interrogava: E no Rossio?
􀀀
- Andei com o Domingos Moura por ali.
􀀀
- Uma dama insultava Lindley Cintra.
􀀀
- V.M Godinho lembrou em Outubro.
􀀀
- À tarde achei o velho Manta.
􀀀
2

1 – “era minha mãe, aflita e em voz baixa, como se fosse um terrível segredo, a dizer-me que havia uma revolução. (…)”

2 – “fez-me prometer-lhe que não saía de casa.”

3 – “
  E no Rossio? Interrogava o general. (…)”
5 – “

Encontrámos o Lindley Cintra que uma dama insultava, histérica”
6 - “

(Vítor Magalhães Godinho, realística e desencantadamente, lembrou em Outubro), “num tão longo regime totalitário, quer se queira quer não, todos estiveram comprometidos”.
2.1 - Escreve em discurso directo, os enunciados que realizam os actos de fala/ actos ilocutórios

2.2

EX. 1 - Há uma revolução.
 – Faz corresponder a cada frase, o tipo de acto ilocutório que ela realiza, associando um número a uma letra:
3


– Espera-me no fim do comício, no café da esquina.
2

– Ah, emoção das emoções! Ah, como me congratulo por ter vivido até ver este dia!
3

– Declaro o recolher obrigatório a partir das 21.00 horas.
4
– Então não concordas comigo? O 25 de Abril não foi a maior alegria da tua vida? 5

A
- Compromissivo
B
- Assertivo
C
- Directivo
D
- ExpressivoE - Declarativo

PROPOSTA DE CORRECÇÃO

1
 
2.1
Frase 1 - “Há uma revolução.”
Frase 2 – “Promete-me que não sais de casa.”
Frase 3 – “É a Revolução do 25 de Abril”.
Frase 4 – “E no Rossio?”
Frase 5 – “ Seu malvado! Desgraçado! Canalha!”
Frase 6 – “num tão longo regime totalitário, quer se queira quer não, todos estiveram comprometidos”.

2.2
Frase 1 - Acto ilocutório assertivo.
3

1 - A; 2 - D; 3 - E; 4 - C; 5 - B
Frase 2 – Acto ilocutório compromissivo.
Frase 3 – Acto ilocutório assertivo.
Frase 4 – Acto ilocutório directivo.
Frase 5 – Acto ilocutório expressivo.
Frase 6 – Acto ilocutório assertivo.
 
– comunicarem, dizer, prometer, interrogava, insultava, lembrou.
– Andei com o Domingos Moura pela cidade.

1

referidos pelos verbos sublinhados.
– Classifica os actos ilocutórios que se realizam em cada uma das frases.

4 – “

eu tinha dito, com imensa seriedade histórica: “É a revolução do 25 de Abril”. (…)”
– Considera os enunciados apresentados de 1 a 6.

ACTOS DE FALA

Na maior parte das situações comunicativas, há determinados objectivos precisos nos nossos actos de fala/ actos ilocutórios. Os enunciados podem servir para emitir juízos, expressar emoções, levar os outros a fazerem algo, legitimar a realidade ou, até, criar realidade nova. A linguagem tem, assim, uma função social e pragmática.

TIPOS DE ACTOS E CLASSIFICAÇÃO:

ASSERTIVOS

terça-feira, 14 de junho de 2011

AULAS ABERTAS

CALENDÁRIO DAS AULAS ABERTAS

15/06/2011   9:00 ÀS 10:30

16/06/2011   11:00 ÀS 12:30

17/06/2011   11:00 ÀS 12:30


CONVINHA TRAZER O CADERNO DE ACTIVIDADES DO ALUNO